terça-feira, 18 de julho de 2017

A idealização da construção de um estádio próprio



A VENDA DO CANINDÉ PARA A CONSTRUÇÃO DO NOVO ESTÁDIO

Fonte: Wikipedia
Pois no fim da década anterior(década de 1940) começara a ganhar força um movimento para a construção de um estádio à altura das conquistas do clube. O então presidente Cícero Pompeu de Toledo  encabeçou o grupo que era a favor do estádio, com a justificativa de que o clube não poderia apenas ganhar títulos, precisava também crescer patrimonialmente.Havia muitas pessoas, até de dentro do próprio clube, contra a construção. Diziam que seria uma loucura que poderia prejudicar muito as finanças do clube, pois o projeto não visava apenas à construção de um grande estádio, mas sim do maior estádio particular do mundo.A ideia original era construir o estádio no próprio terreno do Canindé, mas com a construção da Marginal Tietê  dois terços do terreno — cerca de 20 mil metros quadrados — foram desapropriados pela prefeitura, e a construção de um estádio no local foi então descartada. Com esse primeiro contratempo, Luís Campos Aranha disse a Pompeu de Toledo que sabia quem poderia arrumar o clube para que o estádio fosse construído. Esse alguém era Laudo Natel, diretor financeiro do Bradesco  e são-paulino Para conseguir um empréstimo junto ao banco, o São Paulo precisava sanar suas dívidas Para tal, Natel sugeriu a venda do único patrimônio do clube, o Canindé. O campo de treinamento foi então vendido a Wadih Sadi, conselheiro do clube, com a condição que o clube pudesse continuar treinando por lá até que tivesse outro local..

VETO DE JÂNIO QUADROS FAZ SÃO PAULO BUSCAR TERRENO LONGE DO CENTRO DA CIDADE
Com as dívidas sanadas e o empréstimo engatilhado, o clube partiu atrás de um local que atendesse às exigências, sendo logo escolhido um terreno alagado no bairro do Ibirapuera , onde hoje se localiza o Parque Ibirapuera. O prefeito Armando de Arruda Pereira  deu sinal verde para o uso do terreno e enviou oficio à Câmara dos Vereadores para a oficialização. Mas Jânio Quadros , presidente da Câmara, se opôs e vetou o projeto. A solução encontrada foi edificar o estádio longe do centro da cidade, em um local à época conhecido como Jardim Leonor e que depois se transformaria no bairro do Morumbi O local, desabitado e sem infraestrutura, estava sendo loteado pela imobiliária Aricanduva e em dezembro de 1951 o São Paulo, por meio de Luís Aranha, conseguiu que a imobiliária destinasse ao clube uma área que antes serviria para parques e jardins.Com isso, o clube recebeu uma doação da imobiliária em 4 de agosto de 1952, em troca da compra de parte do terreno. A prefeitura foi mediadora do processo e impôs certas condições à construção.no mesmo dia da pedra fundamental(15 de Agosto de 1952) foi formada uma comissão pró-estádio, presidida por Cícero Pompeu de Toledo, independente da direção do clube e que se ocuparia somente com o estádio. A obra teve seu início em 1953, com o estanqueamento do terreno, a construção de galerias e o escoamento do campo.

 FALTAVA A ESCOLHA DO NOME DO ESTÁDIO

Faltava agora o nome para o estádio: pensou-se em "9 de Julho", em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932, e até em "Paulistão", mas em 1957 Cícero Pompeu de Toledo adoeceu e afastou-se do cargo. Pressentindo que ele não duraria muito, conselheiros reuniram assinaturas para que o nome fosse o do idealizador e maior motivador da obra, Estádio Cícero Pompeu de Toledo  Em 1958 Cícero faleceu, mas já com a ciência de que seu sonho seria realizado Com a morte de Pompeu de Toledo, uma nova comissão foi formada, dessa vez encabeçada por Laudo Natel. Com isso, a construção foi conduzida de maneira firme e passando por cima de dificuldades incríveis, pois nada do que entrou para a construção foi cedido por qualquer poder público. De 1952 até 1959 o clube destinou todo o dinheiro para o estádio.

Laudo Natel, as asas do sonho tricolor

Fonte: Ludopédio Pedro Henrique BrandãoUniversidade do Esporte 12 de agosto de 2020

Dirigente de futebol revolucionário, visionário, torcedor uniformizado, governador paulista e, essencialmente, um apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube.

A história do São Paulo Futebol Clube se entrelaça à vida de Laudo Natel de forma tão forte que é possível confundir as trajetórias da instituição e a do homem. Foi pelo trabalho de vanguarda do cartola que o clube inaugurou uma era de profissionalismo no futebol brasileiro e se tornou referência em organização fora das quatro linhas.

Em 18 de maio deste ano, a morte de Laudo Natel, aos 99 anos, encerrou uma das mais relevantes páginas da história são-paulina. Por mais de 70 anos, o dirigente manteve pelo clube uma relação de amor e devoção inabaláveis, que o fizeram patrono do time.

Nascido em São Manuel, interior de São Paulo, em 14 de setembro de 1920, Natel iniciou sua vida profissional como bancário no Banco Noroeste. Trilhou carreira de destaque no setor, foi promovido de cargo e transferido entre agências algumas vezes no interior paulista. Depois, ingressou no Banco Brasileiro de Descontos, que viria a se tornar o Bradesco, por lá se tornou diretor antes dos 30 anos de idade e assim chegou a São Paulo, em 1946.

Da arquibancada à cartolagem

Logo no ano de sua chegada à capital, aconteceu o encontro com o São Paulo que duraria pelo resto de sua vida e mudaria os rumos da história tricolor. A aproximação foi promovida por Luís Campos Aranha, que o apresentou a Cícero Pompeu de Toledo, então presidente do clube.

Antes, porém, o entusiasmo de Laudo Natel com o São Paulo foi combustível para sua contribuição ao fortalecimento da Torcida Uniformizada do São Paulo (TUSP), a primeira organizada do Brasil. Fundada em 1939 por Manoel Raymundo Paes de Almeida, a TUSP ainda engatinhava quando Natel passou a fazer parte dos uniformizados que acompanhavam o São Paulo nos estádios paulistas.

Os conhecimentos adquiridos no meio financeiro foram a ponte entre a arquibancada e a direção do clube. No início do anos 1950, Laudo Natel foi eleito diretor de finanças do São Paulo e adotou uma prática inovadora e que só se tornaria obrigatória anos mais tarde: passou a publicar os balanços financeiros anuais do clube. O São Paulo foi o primeiro clube brasileiro a tornar públicas suas contas e isso gerou uma imagem de credibilidade diante do mercado.

A repercussão externa foi boa, mas a interna foi melhor ainda e Laudo Natel ganhou notoriedade entre os sócios e conselheiros do clube. Assim, quando o presidente Cícero Pompeu de Toledo decidiu que era chegada a hora de o São Paulo Futebol Clube ter seu estádio próprio, Natel foi escolhido presidente da Comissão Pró-Estádio.

O criador plano Morumbi

Todos esperavam que ele desenhasse algum plano financeiro com empréstimos bancários, mas o que Natel propôs foi a medida mais impopular possível: vender o Canindé.

O atual estádio da Portuguesa era o único patrimônio físico do São Paulo. Foi adquirido na época da Segunda Guerra Mundial, com a compra facilitada pelo decreto de Getúlio Vargas que confiscava os bens de agremiações que faziam referência aos países do Eixo.

Construir um grande estádio a partir da estaca zero já era uma loucura, mas vender o único bem do clube era algo que beirava a irresponsabilidade. Com muita resistência e desconfiança o negócio foi feito. Um sócio são-paulino, Wadih Sadi, adquiriu o imóvel e o São Paulo conseguiu o dinheiro necessário para construir seu estádio.

O dinheiro era suficiente para uma grande obra, por isso, mais uma vez, Laudo Natel arriscou e promoveu o lema da Comissão Pró-Estádio:

“Se é um sonho, que seja grande!”

Foi assim que o São Paulo se lançou na construção do “maior estádio particular do mundo”. Com a determinação e capacidade de Laudo Natel à frente das negociações, o São Paulo conseguiu algo impensável nos dias de hoje: convenceu uma imobiliária a doar o terreno para a construção.

A Imobiliária Aricanduva pretendia lotear a área de 99.873 m² na região do Morumbi, então uma área rural, pantanosa e afastada do centro urbano. João Jorge Saad era o presidente da imobiliária e também corintiano. Fato é que Laudo Natel o convenceu — Deus sabe como — a doar 2/3 do terreno e o São Paulo compraria a parte final.

Negócio fechado e em 15 de agosto de 1952, o São Paulo lançou a pedra fundamental do terreno. Mesmo sem projeto arquitetônico, Laudo Natel quis chamar a atenção dos investidores para viabilizar o estádio.

Todas as alternativas modernas para levantar capital foram usadas mostrando o vanguardismo do dirigente. A principal foi a venda antecipada de três mil cadeiras cativas no estádio. O goleiro José Poy, ídolo do clube, ficou conhecido por bater de porta em porta para vender as tais cadeiras cativas.

                                                                Laudo Natel 


Enfim, a materialização do sonho

Foram 18 anos de obras — oito até o primeiro jogo no local —, mas o São Paulo conseguiu construir o maior estádio paulista. Durante a construção, foram 12 anos sem títulos, as dificuldades financeiras se acumulavam e a prefeitura do Estado chegou a oferecer o Pacaembu em troca do Morumbi inacabado. Laudo Natel recusou e declarou à época:

“O sonho do são-paulino não cabe no Pacaembu”.

Em 25 de janeiro de 1970, enfim, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, foi inaugurado e entregue aos torcedores e ao clube como o maior patrimônio do São Paulo Futebol Clube. Na verdade, não é exagero algum afirmar que o Morumbi elevou o São Paulo a outro patamar no cenário brasileiro e, anos mais tarde, também no futebol mundial.

Esse redimensionamento também se deu pelo modelo de gestão implantado por Laudo Natel durante a presidência de Cícero Pompeu de Toledo. Apesar de bancário — ou justamente por isso — Natel nunca foi entusiasta dos empréstimos. A construção do Morumbi foi tocada majoritariamente com recursos adquiridos dentro do clube com sócios, torcedores e patrocinadores.

https://ludopedio.org.br/arquibancada/laudo-natel/

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